O SERVENTUÁRIO Independente
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COLUNA MEMÓRIA

Amauri Dias

 

Todos somos culpados de tudo e por todos - DOSTOIEWSKI in OS IRMÃOS KARAMAZOV

1) UMA QUESTÃO DE HONRA

Merece repúdio a campanha insidiosa que vem sendo feita por agentes do Governo Estadual e fontes do Poder Judiciário junta à Mídia e à própria ABI. Ainda recentemente, soube por um velho amigo - conceituado jornalista e ex-diretor da ABI - que, no entendimento do Executivo e da Cúpula do Judiciário, os serventuários da Justiça estão querendo prevalecer-se de uma falha da Procuradoria do Estado, ao não questionar o percentual que lhes era devido, para receber duas vezes a primeira parcela de 25% dos 70,5% correspondentes ao reajuste concedido em 1987 aos servidores públicos.

Ora, é uma ilusão supor que temos condições objetivas de conquistar 70,5%. Quer através de um novo questionamento judicial ou por qualquer outro meio (político, administrativo ou - em termos fictícios - revolucionário). A tendência natural do próprio Supremo seria no sentido de ratificar o nosso direito a 36,4%, percentual este que - deduzidos os 10% pagos a partir de março de 1998 - está hoje reduzido a 24%.

Por isso mesmo, devemos centralizar e direcionar a luta comum da Categoria no sentido de que os donos do Poder (nas esferas do Executivo e do Judiciário) - sem prejuízo da complementação imediata dos nossos vencimentos - nos indenizem plena e integralmente a diferença dos atrasados devidos desde 1987 até hoje, pois trata-se de uma dívida líquida e certa, isenta de qualquer questionamento.

É fundamental, portanto, que seja mantida a Comissão de Negociação (integrada por diretores do Sind-Justiça e outros militantes de base) para reivindicar o pagamento não só da nossa complementação de vencimentos mas também dos atrasados a que temos direito e, com a Categoria mobilizada, buscar junto ao Governo Estadual e à Cúpula do Poder uma solução condigna para essa legítima reivindicação. Estamos, no caso vertente, ante uma questão de honra; e, também, de bom senso.

2 - UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA

(Réplica ao discurso de um biônico)

Em termos peremptórios, faço questão de tecer algumas considerações sobre o que manifestei em relação ao companheiro EDSON DE FREITAS na Assembléia dos Servidores do Judiciário realizada em 09/11/2000. Na ocasião, fui acusado por Ronaldo Marins - atual diretor e ex-vice-presidente biônico do Sind-Justiça - de ter agido tendenciosamente, omitindo-me quanto à memória de outros saudosos companheiros.

Porém, na edição do Justa Causa de abril de 1997, publiquei um artigo, Tributo de Saudade, em que reverencio as figuras de ZENILDO ABRANTES, PEDRO SARGENTELI, ACÁCIO CALDEIRA e JOSÉ MARTINS TORRES, que também marcaram época na história gloriosa de nossas lutas. A esses nomes, devemos acrescentar - dentre outras - as figuras inesquecíveis de outros companheiros posteriormente falecidos, como a CRISTINA, o ARI MENDONÇA e VALDIR GONÇALVES DE CARVALHO, fundador da UNISERVI e pai do nosso ex-diretor VALDIR.

Sem demérito, contudo, para esses companheiros e para todos os trabalhadores do Judiciário (fisicamente vivos ou não), entendo que EDSON DE FREITAS foi, sem dúvida, o mais combativo militante da história de nossas lutas. Ninguém mais do que ele - com seus erros e acertos - viveu mais para sua Categoria do que para si mesmo e para sua própria família. Proclamar uma verdade tão cristalina não é "falácia"; é, acima de tudo, uma questão de justiça.

Perante a História, é preciso que saibamos perceber os fenômenos dentro dos seus limites naturais e de acordo com a sua ordem de grandeza. Assim, a história das nossas lutas, por mais gloriosa que seja, nunca poderá ser equiparada à História do Brasil nem à história da libertação dos povos. Foi genuinamente dentro dessa escala proporcional de valores que situei EDSON DE FREITAS no mesmo Partido - e não no mesmo plano - de TIRADENTES, FREI CANECA, CHE GUEVARA e BARBOSA LIMA SOBRINHO.

Razão pela qual - guardadas as devidas proporções - reafirmo que "EDSON DE FREITAS ocupa, na história gloriosa de nossas lutas, o mesmo lugar de TIRADENTES, FREI CANECA e BARBOSA LIMA SOBRINHO na História do Brasil"; e - também com idêntica ressalva - o mesmo lugar de GARIBALDI e CHE GUEVARA na história da libertação dos povos.