"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o Homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."         Rui Barbosa
 
 

Dá para entender a causa de tanta desfaçatez corrupta, impunidade, arrogância dos políticos. Elas se baseiam na beata ignorância. Parcela considerável de políticos não sabe o que faz, literalmente. Daí seguimos para o privilégio de foro, para os atos secretos do Senado, para o dinheiro nas roupas intimas (intimas?), nas bolsas e nos bolsos (também nas meias, em todo lugar imaginável) , para a perda do Estado democrático de direito. E voamos para a saúde em frangalhos (menos, claro, na propaganda oficial e oficiosa), para a insegurança mais do que sinistra, para as escolas que não ensinam e universidades que não formam.
Políticos ignaros são eleitos, praticam atos corruptos com recursos públicos e bênçãos do eleitor. Vivemos sob o signo da hipocrisia coletiva: é possível fazer um desafio aos moralistas de fancaria que rebolam os olhos, os ombros e os quadris ao lamentar a roubalheira em grande parte do Executivo, Legislativo ou Judiciário, dos municípios à federação.
Desafio: em quem eles, moralistas, votam?
No deputado e senador que trazem obras para sua região, ou nos candidatos íntegros? Não é preciso responder: a maioria esmagadora vota em quem carrega obras para a sua cidade. E todos sabem que, para conseguir tal feito, o mesmo político é obrigado a abandonar qualquer pretensão ética, moral, religiosa, etc. Com a concentração dos impostos no governo federal, chegam às verbas apenas quando se negocia apoio ao mesmo governo.
“É dando que se recebe”.
Insisto: todos sabem que a “negociação” é imperativa. Daí a hipocrisia quando alguém brada: “eles são corruptos”. Não, caros concidadãos: o país é vendido, no atacado e no varejo, a preço vil. E poucos escapam da corrupção endêmica.
“Estranho povo, o ateniense”, parafraseio Platão que assim falava pela boca de Sócrates. “Na hora se construir uma casa, contratam o melhor arquiteto. Quando precisam fabricar navios, escolhem o artesão exímio. Para tudo buscam o melhor técnico. Quando se trata de fazer leis e governar…contratam qualquer um”.
Estranho povo, o brasileiro. Aqui, dizer que Montesquieu é Moscão torna-se engraçado quando, na verdade, exibe profunda miséria espiritual. E depois, na hora das chuvas e das mortes por afogamento, o mesmo povo ergue as mãos para os céus, pede ou ameaça o ser divino. Este, como também dizia Platão, não tem culpa pelos nossos erros.
Tragédia não é a chuva que desgraça Alagoas ou Santa Catarina. Tragédia é sermos um povo que confia seu destino político a pessoas que deliberadamente desconhecem a lei e se espojam na ignorância.
Deixemos de mentiras: aceitemos nosso quinhão no descalabro de nossa fingida república. Não senhores: quando são eleitos corruptos e ignorantes notórios, a culpa é de toda a cidadania. Diz Santo Agostinho: “Deus não precisa de nossa mentira”.
Você acha certo que legisladores ignorem o modo de fazer leis, a história do direito, sejam “espertos e populares”? Então pague impostos que não têm retorno.

E pare de fingir indignação!

Um intelectual em férias...

 

 

Uma cena ocorrida recentemente na Assembleia Legislativa do Paraná mostrou como os políticos profissionais se relacionam com a política teórica.
O deputado Rafael Greca (PMDB) citou em plenário o Barão de Montesquieu, o principal teórico da divisão dos poderes, um dos homens que viabilizaram, em última análise, a existência de Legislativos fortes. Jocelito Canto (PTB) respondeu dizendo que não sabia de quem se tratava. Acabou chamando Montesquieu de Moscão, "meio na base da brincadeira” . O companheiro paranaense do Correio Popular colheu uma pérola das mais brilhantes no mundo político. Depois que Luis Inácio da Silva elogiou ditadores e ditaduras, lascou um “emprenhei a galega” em pleno comício na cidade de Porto Alegre e sussurrou ao prefeito de Pelotas que sua urbe exportava, vocês sabem, “heterodoxos sexuais” ( viados ), o Brasil caiu na gandaia. Agora sabemos que, para legislar e governar não é preciso conhecer a história do direito e da…legislação. E viva o filósofo Moscão! Tal "pensador" representa uma parcela muito significativa dos nossos legisladores.

Tamanho : 08,72 MB - Duração : 02,38 min.