

UM DREAM TEAM OU UM RÉQUIEM?
Continuamos vítimas imbeles das contumélias da sorte
- GRACILIANO RAMOS, in MEMÓRIAS DO CÁRCERE.
Sem dúvida nenhuma, este será um ano decisivo para o destino do Sind-Justiça e, por extensão, das lutas de nossa Categoria. Um ano decisivo, repito, quer no sentido da restauração de sua própria dignidade - como classe trabalhadora - e de sua entidade representativa, quer no sentido de sua plena degradação e da autodestruição do patrimônio sindical.
Com efeito, desde a fracassada greve de 1998, ficou evidenciada, à saciedade, a falência definitiva da política adotada monocordicamente pela "liderança" dos serventuários da Justiça Estadual, centrada exclusivamente em eternas e improdutivas "negociações" com as Cúpulas dos Poderes Judiciário e Executivo.
A propósito, não devemos iludir-nos com a propalada "reposição" de 8,95% na folha de nosso pagamento do mês de Abril . Trata-se - como bem sabemos - de um ressarcimento parcial e tardio de um legítimo benefício (vinculado aos reajustes do salário-mínimo) que nos fora usurpado desde 1998; de uma conquista (?) que - longe de representar um fruto de uma espúria "parceria" - deveu-se à pressão da Categoria sobre a Classe Patronal, obrigando-a a uma solução de compromisso e a posteriores tergiversações...
Ao fracasso daquela greve mal conduzida em 1998, seguiu-se uma vergonhosa postura de agachamento da indigitada "liderança" aos donos do Poder, ao arrepio de decisões soberanas de uma Assembléia Geral da Categoria. Frise-se que, à época, dois expressivos diretores do Sind-Justiça foram arbitrariamente depostos de seus cargos executivos, por não terem compactuado com os carneiros do Poder.
A este lamentável quadro, soma-se a temerária situação financeira e administrativa de nossa entidade sindical, cujas dívidas - ao que nos consta - ameaçam, no caso de sua presumível inadimplência, colocar em xeque o patrimônio atual do Sind-Justiça. Ressalte-se que, por haver se recusado a referendar procedimentos que afrontavam seus princípios éticos e sua honorabilidade profissional, o Sr. ENNES CAETANO DA FONSECA - após cerca de 15 anos de bons serviços prestados, como Contador, à nossa entidade sindical e à antiga USERJ - foi demitido pelo presidente (eleito por franca minoria) do Sind-Justiça, em condições onerosas para a citada entidade.
Estamos, pois, diante de uma gravíssima conjuntura, que deveria exigir a união de forças e participação geral de todos os companheiros que militam conscientemente, ao lado daqueles (também numerosos) que - jamais tendo renegado seu passado de lutas - são figuras imprescindíveis à ressurreição dos ideais que nortearam a fundação do Sind-Justiça.
Tenho certeza de que os "parceiros" do Poder estariam com os seus dias contados à frente da nossa entidade representativa, se - sob a égide de um programa comum, levado a termo sem dissidências - pudéssemos formar um DREAM TEAM para concorrer à eleição sindical deste ano. Um DREAM TEAM que - sem prejuízo da participação de outros valorosos nomes - teria de ser integrado necessariamente por companheiros do naipe de BETH GATTO (como supremo consenso, em nível presidencial), AMARILDO, CARVALHO, GILBERTO, CHAIM, FÁTIMA, GIRÃO, DALVA, JORGE ALMIR, NELSINHO, VALDIR, BETH da VEP, JORGE MOACYR e ALEXANDER.
Em termos épicos, este DREAM TEAM teria como patrono o memorável EDSON DE FREITAS e - uma vez eleito - seria triunfalmente empossado sob os acordes da SINFONIA DA RESSURREIÇÃO, de MAHLER...
Mas - como que num lúgubre despertar para a drástica e terrível realidade - concluo que tudo não passou de um sonho e um devaneio; de um SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO, para citarmos o imortal SHAKESPEARE...
Por mais que respeite as razões alegadas, deploro profundamente a impossibilidade manifestada por determinados companheiros, cuja ausência inviabiliza liminarmente a formação de um DREAM TEAM. Sem o qual, não há condições de pôr termo à infinita dinastia dos carneiros e "parceiros" do Poder.
Continuaremos, pois, a ter a treponêmica "liderança" que merecemos (salvo uma oportuna reavaliação de alguns dos já citados companheiros) e a ser "vítimas imbeles das contumélias da sorte"... C'est la vie; ou, no caso vertente, une mèrde ...
Este é um quadro francamente desalentador, que causa-me uma dupla sensação: de revolta impotente e cinismo conformista... Para obviá-la, reconforto-me ao som de um RÉQUIEM do PADRE JOSÉ MAURÍCIO, pioneiro da arte musical em nossa Pátria.