
Entrevista exclusiva :
AMARILDO SILVA, EX-PRESIDENTE DO SIND-JUSTIÇA
" O Sindicato passou a ser apenas um departamento do Tribunal de Justiça, e não mais um organismo independente para defender a categoria."
Opinião polêmica ? Veja essa e outras mais na entrevista exclusiva que Amarildo Silva concedeu ao jornal O SERVENTUÁRIO Independente, cuja íntegra transcrevemos abaixo.
SI - Qual foi o seu período como presidente do sind-justiça, quais as principais conquistas e os fatos mais marcantes da sua gestão ?
AS - O meu período como presidente foi de 91 a 93.Eu acredito que foi a gestão mais positiva do sindicato, desde sua criação até hoje. É claro que há visões diferentes. Eu estou fazendo as colocações pela minha visão, mas vou ilustrar isso com fatos. Eu peguei a categoria no meio daquela época do Moreira Franco junto com o Plano Collor, etc., quando um serventuário da justiça - um TJJ, por exemplo - ganhava dois salários mínimos como salário total . E todos os que são mais antigos se lembram disso.
Nós pegamos isso com uma categoria ainda desacreditada , pois antes tínhamos uma associação (a USERJ - União dos Serventuários do Estado do Rio de Janeiro ) e o sindicato estava ainda no nascedouro. E aí, eu me lembro que minha primeira conquista à frente do sindicato - inclusive foi uma promessa de campanha na época em que disputamos as eleições - foi consolidar uma gratificação que vinha de uma conquista passada nossa, de uma época em que eu não era ainda presidente, mas sim vice-presidente da Beth ( Beth Gatto), com quem participei ativamente de todo o processo daquela greve de 93 dias, em que nós tivemos 107% de aumento retroativo a Outubro do ano anterior. E as parcelas de Outubro a Fevereiro, que acabariam naquele momento, eu negociei para que, em vez de provisórias passassem a definitivas . Isso abriu um precedente superinteressante pois na época fazia pouco tempo que tínhamos ganho este percentual alto de aumento, e o presidente do Tribunal achou difícil reivindicar junto ao Governo do Estado um outro aumento. Então, através da mobilização da classe, da organização da categoria, e também de uma gestão positiva da diretoria do sindicato a nível de negociação, nós conseguimos que o presidente do Tribunal transformasse isto através de um ato administrativo. E esta foi a primeira vez em que um presidente do Tribunal concedeu um reajuste para a categoria não buscando o governo do Estado,mas sim através de um ato do próprio presidente. Isto abriu um precedente para essa própria gratificação, que começou com 50%, passou para 75%, ainda no meu período, depois foi para 100%, chegando até mais de 200% na época em que eu deixei o sindicato - subindo ainda mais, posteriormente e eu sei que ela significa um percentual importante do nosso salário. Essa foi a primeira grande conquista minha.
A segunda , talvez a maior de todas, foi o projeto 2000, que reescalonou índices, e deu um aumento médio para a categoria de 128% . Neste período, realmente, a categoria saiu de um patamar de dois salários-mínimos para a média de quatorze salários.
Eu acho que nenhum presidente, da associação ou do sindicato, conseguiu isso para a categoria.
Fora outras questões também importantes. Por exemplo : nós saímos de dois mil filiados para seis mil . Na minha gestão houve uma filiação maciça, o que demonstrava o crédito naquela gestão. Outra coisa que foi fundamental pra gente - e infelizmente nós perdemos isso hoje - é a noção que nós conseguimos passar para a categoria, de ela se valorizar enquanto classe.
O que acontece hoje é o seguinte : a nossa categoria se confunde com o próprio Poder. Isso não pode existir. O Poder, até a nível constitucional, se constitui apenas dos Juízes e Desembargadores. A nossa classe é apenas uma classe. Se você se confunde com isso tudo, não vai saber buscar o seu, reivindicar o que você tem direito. Se se acha que se tem direito a tudo, não se consegue nada, e acaba-se na situação em que estamos hoje, em que não se sabe nem como reivindicar mais.