O SERVENTUÁRIO Independente
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Atual vice-presidente e candidato à Presidência do SIND-JUSTIÇA na próxima eleição !

Uma diretoria com gente nova e idéias novas, é o que pretendemos !

SI - Você é , atualmente, vice-presidente do Sind-Justiça. Quais são, exatamente, as suas atribuições ?

Xiquinho - Estatutáriamente seria o papel que todos entendem como o de substituto do presidente. Ficou evidenciado por vários anos que o vice é aquele que não manda nada. Mas no sindicato a gente procura fazer exatamente o inverso do que se pensa, ou da linguagem popular, ou do que o povo pensa : a gente busca no sindicato que não só o vice-presidente mas que qualquer cargo seja político e que todos trabalhem politicamente.

Se algum diretor, em outra área, busca mais o papel de dar andamento só dentro daquele departamento, por exemplo de esporte, cultura e lazer, se um diretor de esportes, cultura e lazer parte para só cuidar destas coisas, eu acho que ele não é um sindicalista completo. Ele tem que ser primeiro um sindicalista, e depois diretor de esportes, cultura e lazer. E quanto ao vice-presidente aqui, o que eu sempre pensei e também de certa forma os últimos vice-presidentes sempre atuaram assim, e foram antes de mim Ronaldo Borges Marins e antes dele Edson de Freitas, nós procuramos sempre ter atuação política igual à do presidente, sempre fortalecendo o sindicato e a luta da categoria.

SI - Qual a sua posição em relação à reforma dos estatutos do sind-justiça ?

Xiquinho - Amplamente favorável. Foi uma proposta que eu lutei para que se encaixasse na pauta de campanha dessa diretoria e que, infelizmente, como vice-presidente não consegui dar andamento.Mas com certeza na próxima gestão o primeiro ponto a se atacar vai ser a reforma estatutária. Digo isso como vice-presidente atual, como provável candidato à cabeça de chapa para presidente na próxima eleição, como delegado sindical, ou simplesmente como categoria. Eu vou cobrar isso da diretoria qualquer que seja a que venha a ser eleita para o nosso sindicato.

Entre outras situações que existem dentro do nosso estatuto, uma que eu acho gravíssima, gravíssima mesmo, é a que começa a ocorrer agora na época eleitoral. Vários companheiros se desfiliam por n motivos : porque não gostam da minha barba, porque não gostam dos olhos do diretor, ou porque o diretor tem um carro mais novo, etc. etc. .Quando chega perto das eleições - dois meses às vezes menos - ele se re-filia. E o estatuto não proíbe isso ! Ele pode se filiar três dias antes da eleição e pode até votar - o estatuto não proíbe.

O que a gente tem procurado adotar como norma é que ele tenha tido pelo menos um desconto da mensalidade no contracheque. Porque já ocorreu de o companheiro se filiar ou refiliar , cair na listagem como filiado, não ter tido qualquer desconto, votar, e quando acabam as eleições, se a chapa dele não ganhou ele vem e apresenta o pedido de desfiliação antes mesmo de ter o primeiro desconto. Então é um absurdo , na minha opinião, uma situação dessas. O companheiro que pensa assim não soma em nada - não ajuda a construir o sindicato nem a fortalecer a categoria.

SI - Dizem - e isto foi, inclusive, dito pelo presidente em uma das últimas assembléias, que a situação financeira do sindicato é bastante difícil. Na sua opinião, como isto poderia ser revertido ?

Xiquinho - Por que a situação financeira do sindicato é difícil ? E não é só a do nosso sindicato não, isso ocorreu , de um tempo para cá, com empresas, associações, e várias entidades de classe. A nossa, primordialmente, ocorre porque nós nos baseamos numa arrecadação anual através do imposto sindical e criamos um corpo físico no sindicato, com várias delegacias espalhadas pelo interior e um grupo de funcionários grande, para dar um melhor atendimento aos nossos sindicalizados e essa atuação, hoje, em todos os níveis, está prejudicada pela dificuldade de manter esse grupo e - o que é mais importante - impedindo de dar uma amplitude maior ao atendimento. Por exemplo : o departamento jurídico do nosso sindicato , que começou com um advogado, hoje tem meia dúzia de advogados formados, mais quatro estagiários, mais atendentes e mesmo assim não dá para atender à demanda face ao volume de ações que a gente move em favor de nossos companheiros individualmente e também as ações coletivas da categoria.

Assim, o imposto sindical , basicamente, nos dava esse reforço de caixa. Foi assim na nossa gestão e foi assim na gestão do companheiro Amarildo, uma gestão cutista. Ele, inclusive, em outras discussões em assembléias, nega que aquela diretoria cobrou imposto sindical , mas a diretoria dele como presidente cobrou mesmo o imposto sindical. Naquela época, o único trabalho realizado com a cobrança do imposto sindical foi comprar uma Kombi com som ( alto-falantes ) . Daí a gente entender que o restante do dinheiro foi utilizado como reforço de caixa, coisa normal, que a entidade faz sempre.

A ausência do imposto sindical deixou nosso sindicato e a máquina dele debilitados. Agora, há que se estudar e discutir como se fazer para recuperar esta receita, e se a receita que vai ser recuperada vai ser direcionada não só para a área administrativa, mas também para a área política, que na minha opinião é a matéria prima do sindicato.