SI - Obviamente, você já sabe que há uma série de outros candidatos. Léo Almada, Sidney Marcello, o César Salgueiro, que deve vir também pelo PDT - alguns para deputado estadual, outros para federal. O que você pensa sobre isto ?
Arsen - Isso é até saudável. Antigamente havia uma ética muito radical. Dizia-se não, você é sindicalista, você não pode concorrer a nada...mas isto, felizmente, está mudando. Eu acho que isto é muito bom. Os maus só prevalecem pela omissão dos bons. Então nós temos que lutar no parlamento. Nós tínhamos que ter dez, vinte servidores da justiça lá no parlamento. Seríamos até mais respeitados aqui fora. Por exemplo, o nosso código, o código que a Corregedoria nos impõe, é draconiano. Pune você, deixa você sem salário, e depois é que você vai poder se defender. Eu acho que nem na inquisição era assim. Lá no Espírito Santo, pelo menos, a coisa é menos ruim : cria-se uma comissão mista, com serventuários, para apurar primeiro se você tem algum erro, para fazer, sim, uma sindicância, formar processo e você ser julgado, mas com amplo direito de defesa. Aqui não, aqui é o contrário. E eu, como deputado federal não vou fazer aqui, não. Eu vou fazer em Brasília uma Lei Orgânica - eu e outros serventuários que vamos estar nos candidatando em outros estados do Brasil - resolvendo isto. Tanto para as cooperativas como também para os serventuários da justiça, exigindo nossos direitos. Nós queremos um tratamento igual ao dos magistrados. Já que deles nem o nome aparece quando há algum inquérito. Nós queremos a mesma coisa. E não acho isso nada de mais, isso é uma coisa digna , melhor do que o seu nome ser posto na lama e depois se chegar à conclusão que você não fez nada de errado. Afinal, a quem vamos pedir justiça se em nossa própria casa não encontramos isso ? Como deputados, não. Nós vamos ter condições de reverter isto.
O Dr. Marcus Faver é uma pessoa muito bem intencionada. Já tive conversas informais com ele, e ele também sempre colocou este ponto de vista. Claro, o mau colega, aquele que cobra propina, etc., tem que ser afastado. Mas dentro dos parâmetros legais. Vamos apurar, primeiro, e punir depois se for o caso.
O César Salgueiro, é claro, tem todo o direito de se candidatar. Mas é como eu falo : eu já tenho um documento em cartório, já registrado, e entre os compromissos, tenho o de que uma vez por semana estarei aqui recebendo nossos colegas, revezando nas entidades, como a AOJA, SINTERJ, SIND-JUSTIÇA, ABATERJ, etc. E não é de paletó e gravata, não. É como simples colega que ainda serei. Eu vou querer representar todo o Judiciário, essa é a minha proposta.
Eu sei que o José Henrique também é candidato, a Márcia Mariotini é uma grande candidata lá no sul fluminense, nós temos em Campos um candidato, nós temos em Itaboraí outro candidato, nós temos em Niterói dois candidatos. Nossa categoria tem cerca de 25 candidatos a deputado. E tomara que todos sejam eleitos. Mas quando se divide, dificilmente se chega a algum lugar. Eu gostaria que houvesse uma prévia entre a categoria, e eu já falei isto com o Amarildo e o Gilberto Stoliar, e quem tivesse mais chances , numa convenção, este seria o apoiado. Sabe, eu até abriria mão da minha candidatura se alguém chegasse lá e ganhasse esta convenção. Porque este, aí sim, teria condições de ganhar o pleito.
SI - E o que mais, com relação às cooperativas ?
Arsen - Vou dar a você uma notícia em primeira mão. Nós estamos fechando com a UNIMED um contrato como eu estava procurando há dois anos. E nós estamos, felizmente, fechando com a UNIMED INTRAFEDERATIVA, isto é, de âmbito nacional, e com preço bem inferior às outras prestadoras. Nós copiamos isto lá do Espírito Santo, onde nós temos uma carteira na qual pagamos cerca de R$ 400.000,00 por mês , são quatro mil vidas. Nós temos orgulho de ter esse plano lá. E nós conseguimos traze-lo para cá através da UNIMED do Rio de Janeiro. Eu estou levando à apreciação do Presidente do Tribunal os termos do contrato e também o pedido de rubrica especial, e se Deus quiser, a partir do próximo dia primeiro estaremos implantando a UNIMED. Aí sim, nós vamos ter que cobrar uma mensalidade, pois será necessário cobrir o custo de mais quatro funcionários, um analista, um assistente social, vamos ter que ter - e pagar - mais um pequeno quadro de funcionários. Nós devemos cobrar uma mensalidade de R$ 8,00 - oito reais - o que qualquer associado vai tirar facilmente não só aqui na nossa farmácia como nas farmácias da UNIMED que também não cobram caro. É mais ou menos como na Coop-Justiça, que tem aquela taxa de administração para pagaras despesas com funcionários, etc...
Agora, com relação à outra cooperativa, que é a COOPERAJUD, um esclarecimento : não é uma cooperativa de crédito. A cooperativa de crédito é a Coop-Justiça. Aliás, a propósito, seria bom se o Peixoto se levantasse da cadeira e fosse pleitear junto ao Presidente do Tribunal que o pagamento dos serventuários fosse feito pela Coop-justiça. No espírito Santo eu não recebo em nenhum banco, eu recebo por meio da cooperativa. E o Desembargador Marcus Faver é uma pessoa aberta a este tipo de pleito, é um cidadão que gosta de cooperativas. Em Petrópolis, de onde ele é, tirou carro pela cooperativa, comprava remédio pela cooperativa, etc. etc. O contrato de cinco anos que o filho do Marcelo Alencar empurrou goela abaixo da gente com o Banerj vai terminar agora. Está na hora de pleitear isto, mas tem que pedir, tem que provocar. E aí eu dou um puxãozinho de orelhas no Peixoto, ele tem que entrar na fila, porque já tem BMG, tem Banco Real, tem várias instituições querendo este filé. Porque o Bancoob não está lá ?
A COOPERAJUD se tornou necessária para que nós pudéssemos ter descontos especiais nas montadoras de automóveis. Até 97, quando eu estive no sindicato, nós já tínhamos entregue perto de mil automóveis pela cooperativa existente lá. E, agora, nós conseguimos a condição de frotistas e podemos pleitear descontos especiais para nossa cooperativa, que nós repassamos para os associados. Então nós temos, em certos modelos de automóveis, cerca de 30% de desconto. Nos modelos populares esta proporção diminui porque a incidência de impostos também é menor. A Fiat, por exemplo, nos dá no Palio 12% de desconto, a GM nos dá 14% no Corsa, a Ford nos dá 13% no Fiesta e no Ka, e nos modelos maiores, como Pik-ups, , nós temos 30%. Por enquanto nós estamos vendendo só à vista. Mas acredito que até o fim do ano nós possamos estar financiando estes carros. Para que nós possamos fazer tudo isto, precisamos de mais espaço, pois aqui está muito diminuto. O Xiquinho já nos disse que, se ganhar as eleições, vai nos ceder um espaço lá no sindicato para a COOPERAJUD se instalar. Aí sim a coisa vai funcionar, pois nós temos que ter atendentes, pessoas que tirem os pedidos, analista, programador, etc. O César praticamente abandonou este lado, e o Xiquinho quer dar novo impulso às cooperativas.
Para isto vamos contar também com os aposentados, como o Henrique, que eu levei para o sindicato, como o Peixoto, que me pediu uma oportunidade e eu dei, como o Amauri Dias, que merecia até uma estátua aqui no Tribunal, pois é um companheiro que só nos deu crescimento, intelectual e moral. A vida dele foi dedicada a fazer o bem às pessoas. E eu não o imagino em casa. Ele tem que estar trabalhando aqui, comigo.
Aqui no Judiciário está tudo por fazer. Se você fizer uma cooperativa de coco, vai dar certo. Eu visitei muitas cooperativas e a gente vê que dá certo. Na minha época eu mandei o Henrique e o Ronaldo para os Estados Unidos para conhecer cooperativas, para ver como funcionam, e eles ficaram doidos...Outros companheiros foram à Europa, ao Canadá. O Canadá é uma cooperativa. A Bombardier, que briga com o Brasil, é uma cooperativa. Os kibutz, em Israel, são cooperativas. Então, eu acredito no cooperativismo. Só que no Brasil, onde o Estado se mete não dá certo. E eles preferem uma Sudene ou uma Sudam a uma cooperativa. Porquê ? por que lá tem dinheiro público à mão, e numa cooperativa, se você emprestar cem mil a alguém, um outro pode te derrubar, tem gente do teu lado olhando...
Nós, no início da Coop-justiça salvamos muita gente. Renegociamos dívidas de companheiros, tiramos cheques das mãos de agiotas, muita coisa, mesmo. E eu sempre disse : cooperativa é pra isso, não é pra virar banco. Nas primeiras reuniões que eu fiz para a instalação da Coop-justiça, eu deixei bem claro isso, que a cooperativa era para ajudar os serventuários, e não para virar banco e cair na mesma exploração que eles fazem com todo mundo. Parecia que eu estava profetizando a coisa...
A contribuição à cooperativa é uma espécie de Fundo de Garantia, que nós não temos. Os mais jovens, que estão começando agora, vão sentir muito isso. Porque as aposentadorias não vão ficar assim não. Qualquer governo que entre - pode entrar o Lula, o Ciro Gomes, quem for - vai ter que mudar as regras da aposentadoria. Antigamente se morria no Brasil com 50, 60 anos. Hoje em dia chega-se aos 80 anos ainda com saúde. Quem vai agüentar pagar aposentadoria a alguém durante 40 anos ? Isto tudo com certeza vai ser mudado. E a contribuição às cooperativas serve para isto. Como em Furnas. Quando você se aposenta, recebe de volta tudo que aplicou - ou integralizou - na cooperativa. Então a pessoa leva cem mil do FGTS e mais 80 ou 90 mil das suas cotas. Ele vai então abrir um negócio para ele, para seus filhos, ou para quem quiser.
Aqui, parece que as coisas se encaminharam para outro lado, com talões de cheque, e coisas que tais. Mas eu acredito muito no Xiquinho , que está muito bem intencionado. Mesmo na cooperativa de crédito eu acho que tem gente também muito bem intencionada, que em pouco tempo pode dar um norte àquilo lá. A cooperativa não é para se afastar do sindicato. É para estar lá dentro. Se dependesse de alguns, ela estaria na Av. Rio Branco, ao lado daqueles bancos todos.
SI - Você acha que já explicou tudo sobre as cooperativas ?
Arsen - Basicamente, é isto. Eu sou um entusiasta do cooperativismo verdadeiro, não o cooperativismo de araque feito só para deixar de pagar impostos. E no Brasil tudo se distorce. Tem gente aproveitando o nome cooperativa para armar um monte de situações irregulares. Tem cooperativas de vans, cooperativas de trabalho, cooperativas de tudo. É preciso fazer um movimento cooperativista sério, que é o que nós vamos fazer, se eleitos.
Nós temos todos os registros necessários e legais das nossas cooperativas. Na Coop-justiça, também, o Banco Central ficou mais de um ano com a nossa documentação até finalmente aprovar tudo . É preciso seriedade, é preciso que as cooperativas deixem de ser fachadas para picaretagens como se vê muitas por aí.
O serventuário da justiça tem uma ótima cooperativa. Só é necessário coloca-la no rumo certo.
E com relação às nossas cooperativas, dentro de pouco tempo estaremos divulgando mais detalhes a respeito delas, inclusive desta associação que estamos fazendo com a Unimed e que - nós achamos - será ótima para todos os que trabalham no Poder Judiciário.


