O SERVENTUÁRIO Independente
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SI - Você foi diretor do Sind-Justiça e primeiro presidente da Coop-Justiça. Por qual motivo você deixou o sindicato e a Coop-Justiça ?

Arsen - Em primeiro lugar, eu quero deixar bem claro que a minha saída tanto da cooperativa quanto do sindicato foi uma decisão minha já tomada desde 1996, quando nós tínhamos já delineado que eu iria para o Espírito Santo onde fiz concurso para titular de cartório - no caso, escrivão de justiça - e nós fomos chamados em início de 98. Foi quando eu avisei aos colegas e preparei o Peixoto para me substituir na cooperativa e o Henrique para me substituir no sindicato. E deixei as coisas assim bem claras. Foi uma opção minha para minha aposentadoria lá, pois eu sendo auxiliar judiciário aqui no Rio de Janeiro com salário de R$ 1.500,00 passar para um salário de R$ 4.000,00 lá no Espírito Santo, seria a opção mais lógica. Até pelo fato de que minha aposentadoria está perto. Mas eu de fato nunca me afastei de todo do Rio de Janeiro. Foi uma opção pessoal , não tem nada a ver com divergências políticas, ou alguma insatisfação.

SI - Qual a razão de você estar montando estas cooperativas no Rio de Janeiro e não no Espírito Santo onde de fato você trabalha ?

Arsen - Veja bem : lá nós já temos essas cooperativas. Inclusive a farmácia, que é vitoriosa lá, fui eu que levei , quatro anos atrás . Hoje ela é a terceira farmácia em vendas no Espírito Santo. Podemos dizer que ela é motivo de orgulho para todos nós, lá. E a cooperativa de crédito, lá, é a primeira do Estado , particularmente no imobilizado em empréstimos. Havia entre nós um intercâmbio muito grande até a morte do nosso saudosos e querido companheiro Zenildo Abrantes. E uma coisa que me causa mal estar e uma certa indignação é ver que as pessoas não cultuam quem batalhou , quem foi lutador. Os companheiros que estão aí - e é dos cristãos novos que eu falo - entraram ontem, estão de fraldas, e acham que são os donos do sindicato, donos da cooperativa, etc. . Se arrogam uma grandiosidade que na realidade não tem. Nós temos que louvar sempre as pessoas de Zenildo Abrantes, Edson de Freitas, Beth Gatto, e Amarildo Silva. Colocando neste mesmo diâmetro o Xiquinho, este último sempre falando um pouquinho menos, mas também junto com estes baluartes .

E nada disso é por acaso. Tudo teve um por quê , um que fez primeiro, que carregou o piano. E o Zenildo foi realmente quem mais batalhou . Alguns dizem ah, você e o César compraram a sede própria e eu respondo : foi o Zenildo, que passando por aquele prédio da Travessa do Paço descobriu e nos falou que havia dois andares vagos lá em cima e nos perguntou : por que não vamos lá ? O César encampou a idéia e nós colocamos em prática o plano.

Mas hoje eu vejo certas coisas com muita tristeza . Vejo pessoas usando o jornal do sindicato para promoção pessoal, colocando fotos, fotos, fotos... no caso da Coop-Justiça eu vejo o Peixoto...aquilo ali ele ganhou de presente. Caiu no colo dele a Coop-Justiça. Eu chamei o Peixoto. Ele estava numa situação difícil, em casa, e eu dei essa oportunidade a ele. Inclusive uma coisa que ninguém faz, que é tirar placa de inauguração, foi feito. Nem a ditadura militar fez isso. Se você for ao Colégio Militar, está lá a placa do Prestes até hoje - como primeiro aluno da turma dele. E a Coop-Justiça fez isso com a gente.

Mas voltando ao assunto : eu voltei a fazer as cooperativas aqui no Rio porque eu tenho um projeto político. Sou pré-candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro. Sou filiado ao PDT desde 1980. Quando houve perseguição ao PC eu, o velho , Eduardo Chuay e outros fomos abrigados no PDT. O PDT foi nosso segundo partido, e hoje é o nosso primeiro. Porque os arremedos de partidos que estão aí - o próprio PPS, que foi alugado ao Ciro Gomes, o PC do B, que se prestou a apoiar Moreira Franco aqui, entre outras barbaridades cometidas não servem . E o PDT é o único partido que ainda acredita numa linha socialista popular. Nós estamos nele e vamos tentar nos eleger para deputado federal, e se Deus quiser vamos conseguir, pois nós temos obras e temos projetos. Projetos estes que posteriormente eu vou mostrar em primeira mão a vocês.

SI - Voltando às cooperativas : o que fazem , e o que os serventuários precisam para utiliza - las?

Arsen - A Coopfarma é nossa cooperativa de medicamentos. Nossa farmácia, que basicamente atende aos serventuários na questão dos medicamentos de nome comercial e também de genéricos.

E para usar basta ser associado a alguma entidade. Qualquer entidade ligada ao Poder Judiciário. Eu falo assim porque prestigio as entidades que existem aqui. Eu não acredito num cooperativismo exagerado, que acho até maléfico. Mas acredito no cooperativismo bem regrado, que procura oferecer o melhor para sua categoria, já que os aumentos salariais hoje são muito difíceis. Nós vemos categorias brigando por 4%, 5%, e isso não resolve nada. O nosso sindicato, apesar dos pesares, foi o único que recompôs alguma coisa em termos de perdas salariais. Eventuais divergências à parte com o César Salgueiro, pois ele tem aí algumas coisas que não deixou muito claras nessa última gestão e nós temos que questiona-lo porque eu acho que o mandato dele se esgotou não na questão salarial, mas na equipe mal escalada , não tendo cobrado projetos de ninguém e aí houve uma desfiliação em massa do sindicato, e isso é imperdoável para um sindicalista - mas vamos voltar às cooperativas.

A Coopfarma se destina a atender - a preços bem mais reduzidos, claro, a qualquer associado de qualquer entidade ligada ao Poder Judiciário, como AOJA, ABATERJ, SINDJUSTIÇA, SINTERJ - enfim, qualquer uma . Não precisa pagar nada à Coopfarma. Basta apresentar o contracheque com o desconto para qualquer uma daquelas entidades e ele já vai usufruir dos descontos da nossa cooperativa. Se ele não for associado de nenhuma das entidades, é claro que ele vai pagar o preço de uma farmácia comum. E isso é para incentivar as filiações às entidades, pois eu acredito neste corporativismo saudável. Porque só assim nós vamos ser respeitados. Você vê que há categorias com as quais ninguém mexe. Fiscal de rendas, médicos, etc. Mesma coisa a Receita Federal, que tem no parlamento cinco ou seis deputados. Os evangélicos, etc. etc. etc... só os serventuários é que não conseguem chegar lá. Eu até falo lá no Espírito Santo - e eu conheço quase todos os sindicatos no Brasil - que nós somos uma legião de fofoqueiros. Nós trabalhamos na eleição, somos escrivães eleitorais, somos fiscais, mas não damos um voto para os serventuários. Todo serventuário que se elegeu não era do quadro remunerado pelos cofres públicos. Dr. Aloísio de Oliveira era dono de cartório. Márcio Braga era dono de cartório, o Lamartine Santana a mesma coisa, Aloísio de Castro também. E falam mal deles, dizem que são milionários, etc... a revista veja publicou as cem maiores fortunas do Brasil e 20 são de serventuários da justiça. Mas não é nada disso...são é donos de cartórios. Veja-se, inclusive, a briga para ser notário aqui no Rio. Os juízes, por exemplo, eram considerados antigamente até como uma coisa meio divina... hoje eles estão deixando a carreira para ser notários, quer dizer, há alguma coisa por trás disso. Não estou aqui questionando a honestidade de ninguém, muito pelo contrário... é que a remuneração do servidor público está tão aviltada que eles estão procurando formas de ganhar melhor. Eu lembro que quando entrei para o judiciário, um juiz tinha um salário inicial de perto de cinco mil dólares. Hoje, nem os desembargadores ganham isso. É a contramão do passado : antigamente, os advogados em final de carreira iam ser juízes. Hoje, os Juízes tem que procurar fora da carreira se quiserem melhorar a renda. E agora os juízes são rapazes novos, quase que recém-saídos das faculdades, sem nenhuma experiência de vida, que estão julgando às vezes uma vida, ou interesses grandiosos, ou de comunidades importantes. Nós temos que fazer alguma coisa por isto. E eu, e a FRENCOOP, que é a Frente das Cooperativas do Brasil, vamos lançar um candidato em cada Estado. Nós já temos 11 deputados federais, mas não pelo Rio de Janeiro. E eu botei o meu nome na pedra, eu quero ser candidato aqui pelo Rio de Janeiro. E eu acredito nas cooperativas, eu acredito que este seja um dos caminhos para termos um pouco de recomposição salarial. Já que não há aumento de salário, você abaixa o preço das coisas...e indiretamente você consegue este aumento .

Primeiro presidente da Coop-Justiça e ex-diretor do Sind-Justiça , Arsen Salibian sempre participou ativamente de todos os movimentos da categoria . Leia o que pensa hoje este permanente lutador !

A Coopfarma já está em pleno funcionamento no Rio, e no Espírito Santo ela é uma das maiores