

UMA ELEIÇÃO E SUAS NUANCES
Os que morreram ressuscitarão a liberdade
- inscrição encontrada pelo saudoso jornalista EDMAR MOREL, em 1952 (anos após a ocupação nazista), numa das paredes do campo de concentração de TEREZIN, na ex-Tchecoslováquia. Ao evocá-la, recordo-me especialmente do exemplo de luta do eterno e insuperável EDSON DE FREITAS; e reitero minha condenação aos canalhas que o traíram e aspiram - em maior ou menor proporção - perpetuar-se à frente do Sind-Justiça.
Mais uma vez, os serventuários da Justiça Estadual filiados ao Sind-Justiça/RJ estão convocados para eleger seus futuros representantes e, em especial, os próximos dirigentes de sua entidade sindical.
Trata-se de uma eleição que, em princípio, seria disputada entre duas chapas francamente adversas: a da situação, liderada por Xiquinho, e a da oposição, pelo Amarildo. No entanto, aberto o processo eleitoral, foram inscritas mais duas chapas concorrentes: a do César e a do Aquiles.
Esta última chapa (a do Aquiles) é constituída pelos agentes judiciários dos antigos Tribunais de Alçada que, hoje, integram o quadro de motoristas do Tribunal de Justiça. Trata-se de companheiros que apoiavam a diretoria do Sindicato mas dela se afastaram por desilusão, até no tocante às suas próprias reivindicações. A formação da citada chapa também resultou da inviabilidade de um acordo com os militantes da Oposição.
Já a chapa do César decorreu de uma crise irreversível na atual liderança do Sindicato, a partir do momento em que Xiquinho (com o apoio de Ronaldo e Milton) reafirmou sua determinação de renovar predominantemente a futura liderança com aliados de suas bases, ao mesmo tempo que - percebendo o sensível desgaste de César e seus xifópagos (particularmente do enfant gâté Paulinho Blazer) - decidiu não mais curvar-se às suas injunções nem colocar a máquina sindical a serviço de seus objetivos políticos...
À primeira vista, estamos diante de um quadro que tende a favorecer a eleição da chapa do Amarildo, supostamente beneficiada pelo conflito César x Xiquinho e pela falta de maior representatividade da chapa do Aquiles. Sua eleição, porém, só deverá consumar-se caso haja um equilíbrio de votos entre as chapas de César e Xiquinho, a exemplo do que ocorreu na eleição passada entre as chapas de Chaim e Amarildo, proporcionando a última reeleição de César.
Por outra banda, não há como desprezar a possibilidade de um discurso anti-César de Xiquinho e Ronaldo surtir efeito entre os eleitores independentes - ou mesmo de oposição - que não sejam aliados incondicionais do Amarildo. Refiro-me especialmente aos ex-eleitores de Edson e Chaim (ou a uma parcela significativa deles), não obstante o procedimento ignóbil de Xiquinho e Ronaldo coonestando o golpe de César e seus xifópagos contra aqueles notáveis companheiros (Edson e Chaim), ao destituí-los de seus cargos executivos no Sind-Justiça em janeiro de 1999.
Até o próprio César, com todo seu desgaste, há de queimar todos os cartuchos ao seu alcance para arrebatar os votos da grande maioria dos eleitores que apoiaram sua chapa na eleição passada, persuadindo-os a cristianizar *, em seu proveito, o nome de Xiquinho e seus aliados. Nesse passo, até o discurso anti-César destes (Xiquinho e aliados) também poderá beneficiá-lo indiretamente, na medida que venha a subtrair votos da chapa do Amarildo.
Numa peroração, cabe situar-me objetivamente ante o bravo Amarildo e seus aliados. Ao lado de queridos companheiros, fundamos em 1989 o Sind-Justiça e, junto a eles, participamos da fase mais aguda e heróica das lutas de nossa entidade sindical, com o apoio decisivo da Categoria. Lutas nas quais Amarildo sempre se destacou, atuando permanentemente na primeira linha de combate, ao lado de Beth Gatto, Gilberto Stoliar, Edson de Freitas e tantos outros. Formamos uma inesquecível frente progressista.
De Amarildo tenho divergências ideológicas; nenhuma, porém, de caráter. Após ter ele deixado a presidência do Sind-Justiça, encontrei-o fazendo promoção de seus discos (é um cantor inconteste das GERAIS) e até revendendo mercadorias para complementar o sustento de seus familiares, não obstante as conquistas - como a resultante do Anteprojeto 2000 - alcançadas pela Categoria em sua gestão.
Precipuamente, sua chapa é constituída por companheiros comprometidos com os legítimos anseios dos trabalhadores da Justiça e com a restauração e transparência de sua entidade sindical. Falta-lhe, porém, o perfil ideal de um DREAM TEAM e - salvo melhor avaliação - um nítido equilíbrio de tendências ideológicas na sua composição, em termos amplos de oposição inequívoca à situação atual, ora fragmentada...
Seja qual for o desfecho da eleição, é fundamental que o Sind-Justiça - por iniciativa de sua próxima Diretoria ou de seus próprios filiados - promova a Reforma do seu Estatuto e Regimento Interno, até para que o pleito eleitoral venha a refletir uma decisão majoritária da Categoria, mediante a eleição (quando necessário) em dois turnos, como deveríamos ter no caso vertente e também na eleição anterior do Sind-Justiça.
* Cristianizar é uma expressão criada em nossa terminologia política na eleição presidencial de 1950, quando as raposas do antigo PSD (como Amaral Peixoto, Benedito Valadares e outros) determinaram aos coronéis subordinados ao seu comando o apoio em massa ao Sr. Getúlio Vargas, em prejuízo do candidato oficial do Partido, Sr. Cristiano Machado.