

SENTA A PUA
Horror ao sujo: no interior como no exterior das pessoas
- ÁLVARO LINS, in Notas de um Diário de Crítica, 2º Volume.
Foi com este sentimento que, em sintonia com 1798 companheiros, votei em AMARILDO e sua chapa em nossa eleição sindical. Tendo ajudado a fundar em 1989 o Sind-Justiça/RJ, ao lado de valorosos companheiros de luta, saúdo efusivamente a recente eleição da chapa liderada pelo bravo AMARILDO SILVA para bem representar os interesses de nossa Categoria e exercer a direção de sua entidade sindical.
Sem dúvida, foi uma vitória altamente expressiva da nova liderança, que evidenciou a determinação inequívoca da Categoria no sentido de renovar seus quadros dirigentes. Não só em termos de nomes mas de idéias, métodos e honestidade de propósitos na condução de nossas lutas. Lutas que, de há muito, vinham sendo renegadas pelos integrantes da liderança anterior, que tornou-se o símbolo perfeito e acabado de uma aristocracia operária agachada aos donos do Poder.
Registre-se que, na eleição anterior (de 1999), a Oposição já havia obtido uma inconteste vitória moral: 1950 votos contra 1540 da Situação. Mas, dividida em duas chapas, proporcionou a última reeleição dos parceiros do Poder.
Desta feita, porém, a Oposição concorreu unida em torno de AMARILDO e, com o decisivo apoio de grandes expoentes da história de nossas lutas, obteve 1799 votos contra 1566 das duas chapas situacionistas. Ainda que limitados, os 170 votos da chapa "indignação" também poderiam ser rotulados como de oposição...
Nesse passo, cabe-nos tecer algumas considerações sobre as responsabilidades da liderança eleita e os fatores determinantes de sua vitória. Uma vitória que decorreu fundamentalmente da organização, garra e estratégia de luta de seus integrantes, especialmente nos dias da eleição.
Embora ausente da Capital, tendo votado em Cabo Frio, soube do impressionante trabalho de persuasão realizado pelos ditos companheiros nos locais de votação e nas corridas aos Cartórios. No Forum Central da Capital, esse trabalho junto aos Cartórios ocorria sistematicamente logo após a passagem do grupo de XIQUINHO, o 2º candidato mais votado, com o dobro de votos obtidos por CÉSAR e seus xifópagos.
A votação alcançada pela chapa vencedora deveu-se igualmente ao apoio torrencial que recebeu dos companheiros que, na eleição anterior, haviam votado na chapa liderada pelo admirável CHAIM, que redigiu manifesto de apoio ao AMARILDO. Esta foi também uma vitória póstuma do eterno EDSON sobre os canalhas que o traíram após a fracassada greve de 1998, aliando-se e agachando-se ao então Corregedor-Geral da Justiça, amo dileto daqueles fariseus...
Resta-nos falar sobre as responsabilidades da liderança eleita. Não obstante a experiência e o valor de AMARILDO, sua equipe vitoriosa é integrada predominantemente por companheiros (as) que ora debutam nas lides sindicais, em termos efetivos de comando. Sem demérito para os mesmos, ocorre-me, a propósito, a lembrança de um livro pertinente de uma das maiores figuras humanas que conheci: FORMEI-ME EM DIREITO; E AGORA? do saudoso MESTRE ROBERTO LYRA.
Ignoro se a este segmento majoritário da liderança, que ora inicia seu mandato, não teria ocorrido uma indagação análoga: GANHAMOS A ELEIÇÃO; E AGORA? É justamente a esses companheiros que faço questão de transmitir meu caloroso incentivo. Com AMARILDO e ao lado de ALÍPIO (ex-presidente da AOJA) e ALEXANDER (ex-diretor do Sindicato dos Bancários), estou convicto de que eles também reúnem condições para levar avante, com determinação e competência, as metas do seu programa de campanha.
E, para concluir, vamos ter, dentre os novos líderes, uma outra BETH; que, sem dúvida nenhuma, há de honrar esse codinome. Com afeto, faço-lhes a mesma exortação que - em minha infância mais remota e expressando a consciência nacional da época - manifestei aos gloriosos pracinhas da FEB (Força Expedicionária Brasileira): SENTA A PUA, companheiros...