O SERVENTUÁRIO Independente
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O SERVENTUÁRIO Independente : A atual administração do Sind-Justiça está completando um mês e meio. Na área administrativa, o que foi feito neste período ?

ALÍPIO MENDES : A área administrativa se prende muito à área financeira. O departamento, aqui, é de administração e finanças. Por conseguinte, para que a gente pudesse tocar o sindicato para a frente tendo em vista tudo aquilo que nós pegamos de errado aqui, uma das primeiras coisas que procuramos fazer foi enxugar alguma coisa da folha de pagamentos - e ainda vai ser necessário que se façam outros enxugamentos - e cortar tudo aquilo que signifique desperdício. Ou seja, fechamos todas as delegacias sindicais, com exceção de Campos, que é uma base forte e necessária no norte fluminense, e da delegacia de Nova Iguaçu que não nos traz ônus algum que não seja o pagamento de um funcionário para atuar naquela região da baixada. Com o restante nós procuramos fazer uma política de economia de guerra, praticamente.

Dentro deste conceito de economia de guerra, nós começamos a faze-la desde o cafezinho até um clipe de papel que se gaste. Por exemplo , café no sindicato : antigamente todas as pessoas tinham suas cafeteiras elétricas. Nós arranjamos um fogão, doado por um dos diretores, e dentro dessa doação compramos um botijão de gás , compramos chaleiras, e estamos fazendo o nosso próprio cafezinho de maneira ordenada, sendo controlado até o pó aqui por nós. Este é um dos exemplos.

Na parte de funcionários havia um desperdício de verbas também muito grande, com horas extras mal distribuídas. Muitos funcionários chegavam aqui de manhã, batiam o ponto às oito, oito e meia da manhã, e ficavam sem fazer nada até as nove horas, com isso ganhando horas extras. Após o expediente, que termina às seis horas da tarde, também continuavam nas seções, sem fazer nada . O que nós fizemos ? Fizemos uma reunião com nossos funcionários e estipulamos que somente três funcionários teriam direito a fazer horas extras antes das nove horas da manhã, ou seja, os dois zeladores e o rapaz do serviço de processamento de dados. Então nenhum funcionário , excetuados estes três, fará horas extras antes das nove horas da manhã. E, após as seis horas da tarde, só em casos de extrema necessidade, mesmo assim tem que ser autorizado por escrito pelo diretor, porque a minha funcionária do departamento de pessoal tem ordem expressa de cumprir rigorosamente essa determinação da diretoria.

Com isso nós conseguimos enxugar um pouco a folha de pagamentos. Agora vamos partir para os vales-transporte. Já estamos fazendo um questionário com os funcionários para saber realmente qual é a distância , qual o ônibus que ele usa para chegar ao sindicato, para que possamos fazer uma distribuição justa desses vales .

Essas aí são medidas administrativas imediatas que nós tomamos. Outra coisa, também : o uso de telefones , que nós estamos reduzindo bastante. Porque nós pegamos aqui uma dívida de R$ 33.000,00 de contas telefônicas atrasadas para pagar.

Conforme você vê, estamos procurando, da melhor maneira possível, economizar , fazer a distribuição justa do que nós temos para gastar internamente no sindicato. E tem dado certo. De uma maneira bem racional, tem dado certo.

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SI - Na área financeira a maior pendência era, ou é, a relativa aos empréstimos feitos ao sindicato pelo Bancoob. Considerando que o sindicato reconhece, em princípio, que os empréstimos são verdadeiros, como está sendo equacionado este problema ?

A.M. - Bem. Nós sabemos que este dinheiro saiu do Bancoob e entrou no sindicato. Disto nós temos certeza, pois nos foi provado pela diretoria do Bancoob. Agora, esse dinheiro não foi movimentado dentro da contabilidade do sindicato. Uma coisa que nos causou grande estranheza, pois se o dinheiro entra ele tem que ser aplicado, usado. Nós descobrimos aqui até dinheiro apanhado com agiotas, coisa que eu posso mostrar a quem quiser ver, mas que está também no relatório que publicamos no nosso informativo.

Alípio Mendes, diretor administrativo-financeiro do Sind-Justiça :

PARECE QUE PASSOU UM TORNADO POR AQUI !..

Então, nesta parte do Bancoob nós reconhecemos que o dinheiro entrou. Agora, temos dúvidas, temos muitas dúvidas a respeito de certos contratos que foram feitos. Não estamos nos negando a pagar ao Bancoob. Em hipótese alguma. Esta diretoria nunca disse vamos dar calote . Essa palavra calote não existe para nós. O que existe, sim, é que nós vamos dar uma trava . Estamos movimentando uma auditoria, e dentro desta auditoria nós vamos apurar uma série de coisas que nos convençam da legalidade destes contratos, de um modo geral. E aí, sim, vamos conversar com o Bancoob , expor uma proposta de pagamento, e vamos efetiva-la . Mas só vamos pagar as dívidas decentes do sindicato. Dívidas indecentes nós nos recusamos a pagar porque nós somos representantes de oito mil associados. Consequentemente nós temos dezesseis mil olhos voltados para nossa administração. E nós viemos com uma proposta de tornar as coisas claras , transparentes, e botar o sindicato nos eixos. Isto nós temos feito.

Temos esta mesa aqui ao meu lado , que é vitalícia do Conselho Fiscal. Eu quero o Conselho Fiscal aqui dentro hodiernamente. E, independendo do Conselho Fiscal, as contas do sindicato na gestão Amarildo Silva, mormente enquanto eu estiver aqui como diretor administrativo-financeiro, serã absolutamente transparentes . Foi uma promessa que nós fizemos aos oito mil associados que compõem o quadro social do sindicato. As contas do Sind-Justiça não terão mais obscuridades. Elas estarão abertas para quem quiser vê-las, a qualquer momento. Basta procurar a mim. É lógico que não devem procurar um funcionário, pois o funcionário vai dizer venha na hora em que o diretor estiver. Mas está aqui a mesa . E nós abrimos o que o associado quiser ver, porque nós estamos lidando com um dinheiro que não é nosso. Eu movimento milhões, aqui , e às vezes movimento com os meus bolsos vazios porque eu mesmo não tenho. Então, eu tenho que ter uma precaução muito grande , uma cautela muito grande ao fazer a distribuição deste dinheiro recebido dos associados. Porque nós temos que pagar, que sanear isto tudo , para que o sindicato daqui a algum tempo comece a investir em alguma coisa de social, pois falta investir na parte social.

Claro que isto vai demorar um pouquinho porque nós temos muitas coisas aqui para corrigir, inclusive protestos. Agora mesmo estou recebendo a notícia, pela minha secretária, de que houve um problema lá no banco, e que apareceu um protesto. Já mandei ver, e trata-se de um protesto que nós já pagamos. Então, nós estamos levando a coisa desta maneira.

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