O SERVENTUÁRIO Independente
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Como você vê aí em cima , greve é coisa antiga, usada pelo menos nos últimos 100 anos. Repressão policial também ...

Até 1994 as greves funcionavam como deviam, ou seja, efetivadas as paralisações, iniciava-se um processo de negociações que poderia demandar maior ou menor tempo mas que, geralmente, acabavam com a vitória total ou parcial dos grevistas.

Aí veio a globalização e, com ela, uma carga de desemprego não vista nem nos piores tempos da inflação galopante . Em decorrência disto, a distribuição de renda no país passou a favorecer ainda mais aos donos do capital, em detrimento dos trabalhadores, que viram seus rendimentos caírem na mesma proporção.

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GREVES, ONTEM E HOJE.

E AMANHÃ ???

Os serventuários do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro jamais foram adeptos das greves como primeiras providências . Pelo contrário, sua tolerância à demora em algumas negociações levou o Poder, em certos momentos, a achar que os serventuários não teriam firmeza para segurar uma greve.

Ledo engano...

Apesar de alguns ( pequenos ) fracassos, os serventuários sempre foram bons de greve . Que sirvam de provas, por exemplo, as greves de 48 e 92 dias que aconteceram na gestão de Beth Gatto como presidente do Sind-Justiça.

Nas fotos ao lado você vê serventuárias à porta do Fórum na Erasmo Braga no 36º dia de greve e, abaixo, grandes batalhadores como Amauri Dias e o sempre pranteado Edson de Freitas - com Ronaldo Marins de lado, erguendo o braço, percorrendo os corredores , arregimentando os colegas.

Foi um movimento emocionante não só pelos resultados como, principalmente, por mostrar que, quando querem, os serventuários sabem muito bem defender os seus direitos.

Em 26 de Novembro de 1901, o ESTADO DE SÃO PAULO publicava : " RIO : Desde hontem que se sabia que os operarios da fabrica de tecidos Confiança declarariam hoje novamente estarem em gréve. Por esse motivo, um destacamento policial pernoitou na fabrica. Hoje, às 6 horas da manhan, os operarios entráram em ordem para o serviço, no qual se conservaram até a hora do almoço " .

Waldir Carvalho, Arsen Salibian, quantos e quantos companheiros, alguns hoje afastados das lutas quotidianas, participaram das grandes batalhas por melhorias profissionais e salariais .

Claro que sempre houve o espírito revanchista por parte da administração do TJERJ. Alguns Corregedores, como Ellys Figueira, deram verdadeiras lições de terrorismo administrativo - há serventuários que até hoje sofrem com as punições por ele aplicadas ditatorialmente.

Beth Gatto , no entanto, tem lugar de destaque na galeria de presidentes do sindicato que conduziram greves : as suas duraram nada menos que 140 ( 48 + 92 ) dias, sendo a de 92 dias recorde nacional até bem pouco tempo .

E o futuro, como será com relação a este assunto ?

Para poder fazer qualquer previsão é necessário entender que o próprio sindicalismo mudou muito de 10 anos para cá. Os dirigentes sindicais - inclusive os de centrais sindicais - só usam a greve quando não há mais nenhum outro recurso, nenhuma esperança, nenhum canal de negociação.

Se não houver uma reviravolta neste país, se o trabalho continuar sufocado pelo capital chantagista, que diminui salários mas não diminui seus lucros , a tendência é de que a quantidade de greves diminua cada vez mais. Os trabalhadores - aí incluídos os servidores públicos - só farão greve, mesmo, quando estiverem muito desesperados.

Mas também, quando fizerem...saiam de baixo ... será muito pior do que se viu agora com as greves dos professores das universidades federais e dos trabalhadores da previdência social.

É esperar para ver . Mas tomara que não seja necessário !

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( As fotos antigas foram cedidas gentilmente por Arsen Salibian )