O SERVENTUÁRIO Independente
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NO REINO DA INSENSATEZ

 

As palavras foram criadas para dizer a verdade, não para ocultá-la -

JOSÉ MARTÍ, líder da independência de Cuba em face da Espanha.

 

Confesso-me, até hoje, perplexo ante o quadro caótico que foi legado pela diretoria anterior do Sind-Justiça à atual liderança da nossa Categoria. Neste contexto, destaca-se, à saciedade, o affaire das operações financeiras realizadas entre a entidade sindical e o Bancoob, através da Coop-Justiça.

Esta última entidade foi criada em 21/01/97 (data do seu Estatuto), sob os auspícios da diretoria de então do Sind-Justiça. Frise-se que o Conselho de Administração da Coop-Justiça (constituída de 6 membros) era integrado por 4 diretores do Sind-Justiça; e que, dos 5 integrantes do seu Conselho Fiscal, 3 eram também diretores do Sindicato.

Em 1998, a Coop-Justiça, por franca liberalidade de sua cúpula dirigente, concedeu vultosos empréstimos ao Sind-Justiça, que - de acordo com o atual diretor jurídico do Sindicato - totalizaram a soma de R$ 1.540.000,00. Tamanha prodigalidade ocorreu numa época em que os empréstimos aos associados da Cooperativa eram limitados ao respectivo salário líquido e reembolsáveis, em até 10 a 12 meses, com juros prefixados, mediante o desconto em folha nos contracheques.

Na verdade, a imensa maioria dos sócios da Coop-Justiça desconhece os critérios que norteiam os empréstimos da citada entidade às pessoas jurídicas a ela associadas. Sub-repticiamente, seus dirigentes opõem a reserva do "sigilo bancário" para sonegar-nos tais esclarecimentos.

Entrementes, num cenário típico de ópera-bufa, o burlesco ex-presidente do Sind-Justiça proclamava iterativamente que éramos "donos do Bancoob e do Sind-Justiça"... Com efeito, o Sindicato e a Cooperativa não são empresas privadas de que somos meros clientes, mas entidades públicas que pertencem efetivamente a seus associados. Ante os quais a objeção do "sigilo bancário" constitui uma deslavada hipocrisia.

Frise-se que os empréstimos concedidos pela Coop-Justiça ao Sind-Justiça em 1998 só começaram a ser amortizados em dezembro de 2000, onerando a receita sindical com o pagamento das dívidas (acrescidas dos juros decorrentes de sua inadimplência) até julho de 2006. O calote de uma dessas dívidas (no total de R$ 693.673,22) somente passou a ser ressarcido a partir de agosto de 2001, praticamente ao apagar das luzes do reinado de César Augusto (???) Salgueiro e seus xifópagos de ambos os matizes: o dos aliados incondicionais e o dos "dissidentes" de última hora...

Não obstante a suspeição, insensatez e falta de escrúpulos dos indivíduos que - acumulando cargos executivos em ambas as entidades - aprovaram tais empréstimos, estes foram homologados em recente Assembléia Geral da Cooperativa. Destarte, resta ao Sindicato saldar o pagamento das dívidas, sem prejuízo das medidas cabíveis em face da auditoria que ora se processa, no caso de procedência do propalado rombo em nossa entidade representativa.

Nesse passo, deveria o Sind-Justiça, no curso da presente auditoria, proceder a um levantamento das despesas efetivamente realizadas pelos seus dirigentes para a fundação, implementação e sustentação da Coop-Justiça nos dois primeiros anos de sua existência. Com efeito, neste período, foi vital o apoio do Sindicato à Cooperativa, proporcionando-lhe o uso gratuito de um grupo de salas na sede sindical, cedendo-lhe equipamentos para sua instalação e até remunerando-lhe o pagamento de funcionários.

Tendo em vista a delicada situação econômico-financeira do Sind-Justiça, é legítimo, sob todos os aspectos, que os líderes da Categoria (com o aval de sua Assembléia Geral) cobrem da Coop-Justiça o ressarcimento da exploração de nossa estrutura sindical, no seu valor monetário atual; e que o justo valor desse ressarcimento seja debitado do montante das dívidas do Sindicato à Cooperativa.

Faço votos no sentido de que esta iniciativa tenha a devida receptividade dos dirigentes da Coop-Justiça, com a aprovação inequívoca de sua Assembléia Geral. Outra atitude dos citados dirigentes, a meu ver, seria impensável e só compatível para os rufiões do sindicalismo...