O SERVENTUÁRIO Independente
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QUEM ESTÁ NA CHUVA ...

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SI - A sua gestão à frente do Sind-Justiça completou, no final de Março último, seis meses. Que balanço você faz deste primeiro período ?

Amarildo Silva - Eu acho que, em todos os sentidos, o resultado destes primeiros seis meses tem sido positivo. Do ponto de vista administrativo nós já começamos a sanear as finanças do sindicato, negociando todas as dívidas que foram deixadas, exceto a dívida com o BANCOOB , com quem nós ainda temos uma demanda sobre a legalidade e o aspecto ético da dívida. Mas as outras todas, que dizem respeito a planos de saúde, carros, pagamentos de atrasados até de contas telefônicas, correios, etc., tudo isto já está sendo pago, rigorosamente, sendo que algunas até já acabamos de pagar, e outras já estão pela metade. Portanto, exceto Bancoob, todo o resto já está completamente saneado.

... é pra se molhar, claro . Amarildo Silva tem o nosso testemunho de que relutou muito antes de aceitar ser cabeça de chapa nas eleições para o Sind-Justiça. Mas, tendo ganho as eleições, vem se esforçando para fazer o melhor possível. Veja, abaixo, qual o balanço que ele, em entrevista exclusiva ao SI, faz de seus primeiros seis meses de gestão.

A folha de pagamentos dos funcionários está toda saneada, inclusive já preparamos um novo plano de cargos e salários aqui para o sindicato e os funcionários, na sua maioria, tiveram um pequeno reajuste, e nós estamos pagando em dia, dentro daquilo que foi combinado.Conforme você vê, só isto já é uma grande vitória, porque nós pegamos um caos aqui e o transformamos em uma situação administrável e absolutamente transparente. Todo mês o jornal OPINIÃO SINDICAL publica um balancete das despesas e receitas daquele mês, item por item, embora de maneira resumida, senão ocuparíamos todo o espaço do jornal só com isto. Mas, ainda assim, quem tiver qualquer dúvida com relação à nossa administração poderá procurar o diretor administrativo-financeiro que mostrará o que for preciso.

Do ponto de vista político nós pegamos uma dificuldade não menor. Pois o sindicato, sob a última gestão, perdeu a credibilidade da classe com relação a ele, e por isto nós tivemos mais de quatro mil desfiliações, especialmente nos últimos dois anos. Que foi o período em que começaram a surgir as suspeitas de irregularidades aqui dentro. A questão dos carros, a cooperativa, etc. etc. . e a postura da última gestão de não ouvir os organismos da categoria levaram a muitas desfiliações que nós estamos tentando resgatar, agora. Com uma nova proposta. Não só de ter o sindicato quotidianamente lutando junto com a categoria por seus interesses, mas pela forma clara e transparente como vem sendo conduzido, com assembléias, e atos que nós estamos promovendo.

Claro que houve um choque, porque a nível político, principalmente, houve uma mudança muito radical entre a gestão que existia e a que entrou. E a classe estava totalmente adormecida. Quem já tinha o hábito de lutar naquela época, final dos anos 80 e começo dos anos 90, quando a gente saiu de um patamar de dois e meio salários mínimos para o técnico, e nós transformamos isto em 16, 18 salários mínimos, através daquelas greves, daquela luta toda, quem estava acostumado com esta luta desacostumou, e quem entrou depois, os novos, não ficaram nem sabendo. Então nós pegamos uma classe totalmente desmobilizada, desinteressada com relação ao sindicato, e aos poucos a gente vem resgatando isto. Com um trabalho muito persistente, paciente, criterioso, de trazer de novo a classe para o seu sindicato.

Do ponto de vista das autoridades - e aí eu falo do Corregedor, do Presidente do Tribunal, do Governo do Estado - também ocorreu outra dificuldade, pois aí também houve uma mudança muito grande entre o que se fazia antes e o que estamos propondo fazer agora. Antes nós tínhamos, na verdade, uma bajulação danada e você não sabia se o sindicato era um organismo representativo da classe ou se era um departamento do Tribunal de Justiça. Quem mandava no sindicato, na verdade, era a administração do Tribunal. E hoje nós temos uma postura totalmente independente, embora respeitando as autoridades, que são constituídas e têm que ser respeitadas, mas colocando o sindicato como organismo independente que também tem que ser respeitado. E colocando, também, que a negociação é uma via de mão dupla, isto é, não é só o sindicato que tem que ceder. O Poder Judiciário também tem e as autoridades, inclusive o governo do Estado, também.

Nós tivemos no último dia 13 de Março uma meia paralisação de duas horas, e o Poder veio com o martelo, e nós respondemos. Isto causou alguns melindres, pois nós nos defendemos chamando outros organismos com o mesmo poder. Denunciamos à comissão de direitos humanos da Câmara dos Deputados, da Assembléia Legislativa, da OAB, do Senado, e isto não agradou muito ao Poder. Eu sinto muito, mas nós temos que buscar sempre os meios legais de nos defender.

continuação da entrevista >>>>>>