O SERVENTUÁRIO Independente
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MEMÓRIA

AMAURI DIAS

As pessoas não morrem. Ficam encantadas - homenagem a EDSON DE FREITAS e a VALDIR GONÇALVES DE CARVALHO .

1 - UMA TRINCHEIRA HERÓICA

 

Não raro, o líder de nossa Categoria e seus xifópagos costumam referir-se, com evidente desprezo, à antiga sede do Sind-Justiça e da Associação que deu-lhe origem, a USERJ, usando expressões como buraco indecente de um final de corredor, salinha de merda e outros apodos.

Sem dúvida nenhuma, era fundamental que tivéssemos uma sede externa ao Poder Judiciário, de modo a assegurar plenamente a autonomia de nossa entidade representativa e, ao mesmo tempo, dar-lhe condições mais adequadas, em todos os sentidos, para lutar pelos reais interesses da Categoria. Sob este aspecto, foi pertinente a aquisição da atual sede própria do Sind-Justiça, uma conquista significativa de seus filiados, que a financiaram através de suas contribuições voluntárias e, mais especialmente, do tão controvertido imposto sindical. Mesmo a nível de liderança, foi uma iniciativa da Diretoria Executiva do Sindicato, e não isoladamente de seu Presidente. De uma Diretoria que, dentre outros, teve a destacada participação do saudoso ZENILDO, do sempre atuante ARSEN e do mais combativo militante da história de nossas lutas : EDSON DE FREITAS.

Não obstante, causa espécie o retrospecto comparativo entre as conquistas vitais obtidas pela Categoria naquele buraco indecente de merda e a inexistência de ganhos efetivos na atual sede sindical. Em termos salariais, devemos todas as nossas conquistas às sucessivas lideranças que já tivemos e ao apoio decisivo da legião de companheiros filiados ao Sindicato, desde a época de MONTEIRO ( e, antes dele, do saudoso TORRES ), CARVALHO e MENDELSOHN na USERJ até as lutas vitoriosas do Sind-Justiça sob o comando de GILBERTO, ELISABETH, AMARILDO e CÉSAR ( em sua primeira gestão ).

Com efeito, nossa última conquista expressiva foi a reposição ( cerca de 43% ) do primeiro reajuste de salário mínimo ocorrido na vigência do Plano Real, em 01/05/95, quando ainda estávamos naquele buraco de merda . Daí para cá - não obstante a amplitude, o progresso material e a moderna infra-estrutura de nossa entidade representativa - a Diretoria do Sind-Justiça vem perdendo, cada vez mais, o apoio e a credibilidade da Categoria, ante o niilismo da tão decantada, suspeita e ilusória parceria de seus líderes ( ? ) com a Cúpula do Poder.

Na melhor expressão de um Chefe de Estado deste século XX, estamos analogamente diante de um livre jogo das contradições no seio do povo; de uma contradição que só há de ser resolvida quando o Sind-Justiça, volvendo às suas origens, constituir-se - de acordo com o seu verdadeiro perfil histórico - naquela trincheira heróica de lutas que foi aquele buraco.

2 - JOÃO OSCAR, UM AUTOR

Técnico Judiciário aposentado que, durante muitos anos, atuou em Teresópolis, onde também foi professos de História na FESO ( Fundação Educacional Serra dos Órgãos ), nosso brilhante companheiro JOÃO OSCAR foi, quando estudante, militante do CACO, da UNE, do CPC ( Centro Popular de Cultura )e do PCB, o velho Partidão de Luiz Carlos Prestes.

Inspirado nos acontecimentos políticos e sociais que marcaram o período de sua vida universitária ( de 1960 a 1964 ), JOÃO OSCAR acaba de lançar, pela Editora Francisco Alves, o romance histórico JUVENTUDE VERMELHA, já à venda nas livrarias.

Vivenciado no Rio de Janeiro, foi escrito sob a ótica do então movimento estudantil e sindical, bem como das diversas e desenconradas facções da esquerda brasileira, culminando com a heróica tentativa de resistência dos estudantes do CACO ( da Faculdade Nacional de Direito ) ao golpe militar de 1964. Trata-se do primeiro romance histórico que tem como enredo os personagens reais daquele período tão fecundo e conturbado que marcou a vida de sua geração e, sem dúvida nenhuma, daqueles que o sucederam e protagonizaram os marcantes acontecimentos de 1968.

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