O SERVENTUÁRIO Independente
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O caos e a ordem

( Coluna do Mestre Carlos Chagas publicada na Tribuna da Imprensa em 26 03 2003 )

 

BRASÍLIA - O presidente Lula declarou guerra ao crime organizado e ao narcotráfico, dizendo que o governo não vai perder. Isso foi logo depois da notícia da morte de um segundo juiz de Execuções Penais, em Vila Velha, no Espírito Santo, pouco depois da execução do juiz de Presidente Prudente, em São Paulo. Até que não foram tão entusiasmados os aplausos dos operários da Volkswagem, em seguida à afirmação. Acreditaram? Duvidaram da capacidade de o governo enfrentar o adversário? Estavam pensando mais no aumento do salário mínimo? Tanto faz. A verdade é que Lula continua reagindo retoricamente, ao tempo em que os criminosos atuam de verdade.

Agora, virou moda matar juízes.

A moda agora é matar juízes, como tem sido matar policiais civis e militares. Ou decretar o fechamento do comércio, proibir a circulação nas ruas, seqüestrar, depredar e assaltar conforme sua vontade.

A hora deixou de ser de exortações. Chegamos a um tempo em que as palavras dizem pouco ou nada, valendo as ações. Fora disso, desmoraliza-se o governo onde ainda não foi desmoralizado, ou seja, em seguida às promessas de mudar o modelo econômico mantendo as diretrizes neoliberais, não vai dar para prometer o combate ao crime organizado deixando os criminosos livres para a imposição de sua vontade.

Que tal mandar uma escolta à prisão onde se encontram Beira-Mar e os chefes do Primeiro Comando da Capital, recolhendo os presos e encontrando uma caverna no meio da Ilha da Trindade para despejá-los? Por que não subir morros e ocupar as favelas do Rio levando chefões e chefinhos para um buraco no Raso da Catarina? Para quem não sabe, trata-se de uma depressão na caatinga, em Pernambuco, onde nem lagartixa sobrevive, com média de 50 graus de temperatura no inverno.

Poderia haver injustiças? Claro. Seriam os direitos humanos atropelados por atingir bagrinhos, "aviões" e subalternos sem tanta responsabilidade quanto os mandachuvas? Sem dúvida. Mas não está o cidadão comum, que cumpre os seus deveres, paga impostos e se encontra prisioneiro em sua própria casa, sujeito a horrores muito maiores? O exemplo talvez até frutificasse, porque o Estado de Direito Democrático foi construído para preservar a democracia, o direito e o estado, hoje à mercê do crime.

É preciso enfrentar essa distorção dos grandes princípios humanitários. Numa única expressão: "Pau neles"! E se dessa ação resultasse o conhecimento de que os verdadeiros responsáveis estão no asfalto, melhor ainda. Reclusão total, sem piedade, porque piedade é sentimento por eles desconhecido.

Isolamento definitivo para bandidos


O narcotráfico existe comandado por narcotraficantes, mas não existiria não fossem os usuários. Coitadinhos, são doentes que merecem nossa compaixão? Com certeza, mas também são a mola mestra do crime organizado. Não estivessem dispostos a pagar pela cocaína e outras drogas, levariam o crime organizado à falência. Então pau neles, também! Se não processá-los e condená-los pelo uso, ao menos isolá-los em colônias agrícolas onde teriam que substituir a droga pelas minhocas.

Chegamos a uma situação onde a alternativa para o caos é a ordem, sem meio termo. Não se chegará ao exagero do estabelecimento da pena de morte, muito menos da execução pura e simples de quantos executam por simples ato de vontade ou vingança. Mas o isolamento permanente desses animais tornou-se necessidade vital. Que no fundo de cada buraco construam sua própria sociedade, se puderem.

A guerra de Lula não poderá ser desenvolvida de outra forma. Adianta menos se apenas vamos identificar e mandar para a prisão os executores materiais, enquanto os mandantes permanecerem mandando. São eles a perseguir e a isolar.

O ministro da Justiça conseguiu ampliar os quadros da Polícia Federal, ainda que vá demorar a concretização da iniciativa. Nos estados, é preciso que o exemplo se multiplique. E se a corrupção policial persistir, nada melhor do que reunir no mesmo buraco corruptos e corruptores.

Deveria a Justiça, se não tomar a frente dessa guerra, ao menos engajar-se nela. Afinal, juízes vêm sendo sacrificados. Vamos esperar que o Supremo Tribunal Federal, para funcionar, deva cercar o seu palácio com sacos de areia? Que cada tribunal se instale num bunker à espera de mísseis do narcotráfico?

Em cada esquina, em cada praça, em cada rua, o poder público precisa estar presente. E se a alegação for de falta de recursos, que se taxe cada agência bancária por conta dos estratosféricos lucros de suas empresas. Ou que se instale, nelas, os comandos setoriais da guerra contra o narcotráfico. Mas será que precisamente nessa conjunção não se localizará a chave de tudo o que acontece?

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