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COOP - JUSTIÇA
:
UMA SUTIL REFLEXÃO
E O VELHO MACHADO
Sem dúvida nenhuma,
foi louvável a criação de uma cooperativa de Economia
e Crédito - a COOP-JUSTIÇA - por um grupo de filiados ao
Sind-Justiça, cuja Diretoria Executiva ( através de seus
legítimos integrantes à época ) deu pleno apoio estrutural
à sua implantação e implementação.
O crescimento da Cooperativa
é um fato palpável, sendo seu quadro social integrado por
uma significativa gama de companheiros dos mais diversos matizes, à
semelhança do quadro registrado na última eleição
sindical. Certamente, dentre os associados da COOP-JUSTIÇA , incluem-se
outros tantos companheiros que - a exemplo do autor destas linhas - fazem
parte da maioria sindicalizada que não vota nas eleições
do Sind-Justiça ( o que só farei após a reforma do
seu moribundo Estatuto e de seu Regimento idem...) .
Prolegômenos à
parte, impõe-se uma sutil reflexão sobre a independência
que deveria nortear a posição da COOP-JUSTIÇA em
relação ao Sind-Justiça. Nesse passo, devemos reconhecer
a priori que :
a) foi vital à
COOP-JUSTIÇA o valioso apoio básico que recebeu - em toda
sua fase embrionária - do Sind-Justiça, que proporcionou-lhe,
durante cerca de dois anos, o uso supostamente gratuito de um grupo de
salas para funcionar provisoriamente;
b) foi também
fundamental a assistência dada à COOP-JUSTIÇA pelos
diretores do Sind-Justiça que, beneficiados pela licença
sindical, integraram inicialmente o seu Conselho de Administração,
cujo baluarte-mór tem sido - desde a primeira hora - o honrado
e eminente companheiro PEIXOTO, seu atual Presidente.
Completado um triênio
de sua fundação, a COOP-JUSTIÇA tem atualmente sede
independente do Sind-Justiça, com uma filial em Cabo Frio. Tal
independência, porém, está longe de ocorrer na composição
do seu Conselho de Administração, integrado - ainda que
em parte - por diretores do Sind-Justiça. Frise-se que, dos três
cargos executivos do citado Conselho, dois deles ( o de Tesoureiro e Secretário
) são exercidos cumulativamente por diretores do Sind-Justiça.
Estatutáriamente,
é facultado a todos os associados da COOP-JUSTIÇA o direito
de concorrer aos seus cargos eletivos. Daí resulta que - a exemplo
dos demais associados - os diretores do Sind-Justiça filiados à
Cooperativa podem integrar o seu Conselho de Administração.
Ocorre que, na forma
do Estatuto da COOP-JUSTIÇA, seu quadro social é também
integrado pelo Sind-Justiça, como pessoa jurídica
sem fins lucrativos . Em face disso, perguntamos :
a ) é correto,
ético e decente ao Conselho de Administração da COOP-JUSTIÇA
aprovar a concessão de empréstimos ao Sind-Justiça
com o endosso de Conselheiros que - ao mesmo tempo - sejam diretores do
Sindicato ?
b ) é correto,
ético e decente o Tesoureiro da COOP-JUSTIÇA, na forma de
suas atribuições estatutárias, executar a política
de empréstimos e supervisionar a concessão de empréstimos
ao Sind-Justiça , do qual também é diretor ?
( a propósito, ocorre-nos à lembrança o conto SUJE-SE
GORDO , do insuperável MACHADO DE ASSIS... ) ;
c ) é correto,
ético e decente a COOP-JUSTIÇA conceder, nos moldes ora
descritos, vultoso empréstimo ao Sind-Justiça, cujas condições
de amortização ( juros e prazo ) são desconhecidas
até hoje ?
É de estranhar-se
também a versão, corrente à época, de que
o Sind-Justiça obteve tal empréstimo sem resgatar suas aplicações
de renda fixa na própria COOP-JUSTIÇA. Trata-se de um fato
que, se verídico, leva-nos a concluir - estarrecidos - que os juros
desse empréstimo ( ? ) foram sumamente magnânimos; ou que
os rendimentos dessas aplicações foram estupendamente pródigos...
Coincidentemente, à
época do indigitado empréstimo, a COOP-JUSTIÇA suspendeu
temporariamente, por falta de recursos ( ? ) a assistência financeira
aos seus associados que dela careciam, limitada - no caso destes - ao
respectivo salário líquido e reembolsável com juros
prefixados. Recursos que não faltaram para " socorrer "o
Sind-Justiça. ( Mais uma vez, brindemos : SUJE-SE GORDO ...)
..
Nesse passo, reportemo-nos
- dispensando parênteses - à figura ímpar de MACHADO
DE ASSIS. Seu conto SUJE-SE GORDO está em Relíquias da
Casa Velha, uma das peças marcantes da obra Machadiana. Leiam-no,
é perfeito em todos os sentidos ( de acordo com o inesquecível
ÁLVARO LINS , maior crítico literário de nossa História
) .
Eis o que, nesse conto,
diz o velho MACHADO ante um personagem ainda não de todo revelado
: TUDO POR UMA MISÉRIA, DUZENTOS MIL RÉIS ! SUJE-SE GORDO
! QUER SUJAR-SE? SUJE-SE GORDO !
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