O PARTIDO DOS TRAIDORES - II
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Era fevereiro de 1998, vivia-se uma convocação do Congresso no recesso e votava-se, na comissão especial da Câmara, a... Reforma da Previdência. Só que aquela era proposta pelo governo de Fernando Henrique Cardoso. Naquela quinta-feira, 5 de fevereiro, os manifestantes foram mais longe e entraram no plenário da Casa. Sabem quem comandava a manifestação? O PT e a CUT, como atestam inequivocamente as fotos.
Curiosamente, naqueles tempos, João Paulo não via "minorias histéricas" e nem Lula acusava a existência de "vandalismo irresponsável". Ao contrário: todos estavam combatendo o suposto "neoliberalismo" de FHC. E olhem que era aquela uma reforma muito mais branda do que esta de Lula.
Mas, em 1998, o presidente da Câmara, o deputado Michel Temer (PMDB-SP), não soube medir até onde podia chegar a audácia dos manifestantes e até onde eles podiam ser convencidos a protestar em um ambiente sob controle dos seguranças do Congresso. Mediu tão mal que, quando se deu conta, tinha o então líder sindical Vicente Paulo da Silva, hoje deputado do PT-SP, a fazer discurso para os manifestantes, no plenário, tentando acalmar os ânimos de aposentados, metalúrgicos e servidores.
Curioso: naqueles tempos, Vicentinho era mais fotografado na Câmara do que hoje, quando é deputado... O jeito foi chamar a tropa de choque do DF, o Batalhão de Operações Especiais (Bope), os fardados de preto, que ajudaram a esvaziar o plenário. Os petistas e os cutistas, os que hoje chamam os manifestantes de "minorias histéricas", acusaram "fascismo" da direção da Casa. Curioso de novo: os "companheiros" de ontem são os "fascistas" de hoje; os "fascistas" de ontem são os "guardiões da democracia" de hoje.
O que mudou? Ah, agora o PT é poder! E como o PT é povo, o povo está no poder. Assim, como corolário, quem estiver contra o que pensa o PT está contra o povo. Caia no conto quem quiser: para nós os baderneiros de ontem continuam baderneiros hoje. E João Paulo, Lula, Genoino e assemelhados são tão responsáveis pelos eventos na entrada da Câmara Federal quanto as lideranças irresponsáveis que lá estavam.
No dias que correm, a tropa do Bope chega cedo à praça dos Três Poderes e fica de plantão para o que der e vier, nos fundos do Congresso, no estacionamento do Espaço Cultural Oscar Niemeyer. Chega em dois ônibus e vans especiais, de onde saem os PMs e alguns cães da raça pastor-alemão, treinados para não gostar de manifestantes e que foram treinados para conhecer o vermelho do PT e da CUT à distância. Quem também bate ponto cedo na Esplanada é o carro de som dos sindicatos dos servidores e os líderes anti-reforma - começam a discursar e a animar a Esplanada com palavras-de-ordem logo à chegada dos funcionários para pegar no batente.
P.S: No dia seguinte ao confronto de 1998, a proposta de reforma de FHC foi aprovada na comissão especial por 24 votos a favor e sete abstenções. A oposição de ontem, o PT, tentava adiar para depois daquele Carnaval a votação, com o apoio dos manifestantes.





