O SERVENTUÁRIO Independente
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UMA FESTA E UM ROMANCE

 

Cumpre-me saudar em Álvaro Lins o
melhor e o maior crítico literário
já nascido em terra brasileira –
Carlos Heitor Cony

 

Em seu precioso livro Literatura e Vida Literária, obra que reúne em dois volumes 350 Notas de um Diário de Crítica, o saudoso escritor, professor e embaixador Álvaro Lins – intelectual de vanguarda e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) – descreve-nos magistralmente as condições que nos permitem aquilatar e sentir o valor literário ou a inexpressividade de um romance. Razão pela qual transcrevo suas palavras:

Suponhamos alguém, um homem, com a sua vida própria, os seus negócios, as suas preocupações, os seus problemas, que vai assistir a uma festa. Entra no salão e sente que a música o empolga, que as mulheres são belas, estranhas ou misteriosas, que há figuras de uma fisionomia especial, que há outras figuras ridículas que divertem ou entristecem. A noite vai passando e o ambiente dominou o conviva: esqueceu a sua vida para viver, durante várias horas, a vida daquele salão de festas, que não é a sua, mas na qual se integrou momentaneamente. Suponhamos, ao contrário, que ele permanece aí como simples espectador, que continua a pensar e a se inquietar com as suas lembranças e idéias. Então é que a festa era desinteressante, não pudera empolgar os participantes.
Com o romance acontece a mesma coisa. O romance é um salão de festas, uma vida à parte na qual entramos de passagem algumas vezes, durante algumas horas. Se a ficção consegue do leitor que esqueça os seus problemas para viver os problemas do romance – então está realizado. Se, ao contrário, o leitor permanece com a sua personalidade – então está falhado. Creio mesmo que este é o processo menos abusivo para constatar a existência de um romance.

O presente comentário ocorreu-me para externar uma breve avaliação crítica do romance O Balão, de autoria do companheiro L.C. Coutinho, editor e diagramador do Opinião Sindical, tendo como centro nervoso o mundo temerário do narcotráfico.


Nele encontrei figuras de uma “fisionomia especial” – como Dória, Luiz Carlos, Ana, Renata, Cida, Paulinho, Rogério, Paulo Muniz, Efeagá, Ed Carrancudo e Pedro Malandro. Trata-se de uma obra de ficção – com traços marcadamente autobiográficos – que consegue prender a atenção do leitor, fazendo-o conviver com “os problemas do romance” e a saga de seus personagens.


O próprio Balão – título da obra - tem características sui generis, despertando um clamor geral. Também merecem registro a narração objetiva, com estilo fluente, e a imaginação criadora do autor, cujo talento é inegável.


Por essas singelas razões, recomendo indistintamente aos companheiros e companheiras de nossa categoria bem como aos demais leitores deste jornal a leitura de O Balão, que poderá ser adquirido diretamente ao seu autor, no Departamento de Imprensa e Divulgação do SINDJUSTIÇA-RJ. O livro em referência foi publicado no ano 2000 pela Editora Algo a Dizer, podendo constituir adicionalmente uma boa lembrança natalina a parentes e amigos.

Amauri Dias
Matr. 15282


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