O SERVENTUÁRIO Independente
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MEMÓRIA

AMAURI DIAS

Como objeto da presente coluna transcrevo a seguir o discurso que pronunciei na Assembléia Geral do Sind-Justiça, realizada em 09 de Novembro de 2000

 

 

DESAGRAVO :

O Editor deste Jornal solidariza-se com o companheiro AMAURI DIAS por ter sido o mesmo atacado,na Assembléia de 09/11, de maneira extremamente infeliz e deselegante, pelo Diretor do Sind-Justiça Sr. RONALDO MARINS. O referido Diretor deveria, antes de mais nada, lembrar que vive reiterando sua postura democrática. Mas, pelo visto, não sabe respeitar o direito da livre manifestação dos outros - ainda que não concordando com ela.

"Não concordo com uma só palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dize-lo ! "

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COMPANHEIROS:

Em face da reedição, no último dia 19/10/2000, do histórico abraço ao Forum registrado há dez longos anos, é com grande satisfação que volto a participar, após uma decepção e um desencanto em relação às nossas causas, de um movimento da Categoria, por julgá-lo condizente com o seu verdadeiro perfil histórico: um perfil de luta em todos os sentidos, aliando a garra e a determinação à lucidez e ao bom senso, coerente com os princípios que nortearam a fundação do nosso Sindicato.

Trata-se de um movimento que nos faz lembrar as heróicas lutas que travamos nos primeiros anos do Sind-Justiça, durante o governo Moreira Franco, até a conquista do índice 2000, no segundo governo Brizola.

Este movimento atual tende a resgatar - repito - o verdadeiro perfil histórico da nossa Categoria. De uma Categoria que já simbolizou - na melhor expressão de EÇA DE QUEIROZ - "a alma sentimental de um povo, exibindo-se num palco, ao mesmo tempo, nua e de casaca".

A presente conjuntura de nossas lutas demonstrou que era chegado o momento de pôr termo à parceria incondicional e submissa da Diretoria do Sindicato com a Cúpula do Poder; e - o que foi repugnante - ao seu agachamento horizontal perante o verdugo da nossa Categoria (o então Corregedor Ellis Figueira), após o fracasso da última greve, em 1998.

A condenação a essa postura ignóbil ficou plenamente caracterizada, em nossa última eleição sindical, pela franca superioridade de votos obtidos pela maioria oposicionista. Maioria à qual ora faço a sábia advertência do conceituado escritor JOSÉ GERALDO VIEIRA: "Usai mascaras não contra gases, mas contra a estupidez". Entre nós, a estupidez consistiu na divisão da Oposição.

Sendo co-fundador do Sind-Justiça, situo-me acima das correntes contraditórias dentro da nossa Categoria, procurando a verdade por toda a parte. Reconheço que uma posição dessa ordem, pela sua independência, tente a desagradar às três correntes que disputaram nossa última eleição: a de uma Diretoria minoritária e as da Oposição majoritária mas dividida, estupidamente dividida.

A propósito, quero dar ciência a todos os companheiros da existência de um jornal (O Serventuário Independente) que um de nossos mais eminentes colegas, Oficial de Justiça Aposentado, vem editando quinzenalmente através da internet, cujo site é "www.serventuario.com.br" (serventuário, neste site, não leva acento).

Trata-se de um órgão efetivamente independente e muito bem elaborado pelo seu brilhante editor. Nesse jornal, que está aberto à livre manifestação da Categoria e onde a liberdade de imprensa é um fato, passei a publicar minha Coluna Memória que, anteriormente, era divulgada no Justa Causa, órgão do Sind- Justiça.

Assim, recomendo aos companheiros a leitura de O Serventuário Independente na internet, cujas duas últimas edições trazem ampla cobertura do presente movimento de nossa Categoria. Como detalhe, a Coluna Memória dessas mesmas edições contém um artigo sobre a Cooperativa de Crédito (COOP-JUSTIÇA) e - mais especialmente - três matérias, sob os títulos UM FESTIVAL DE HIPOCRISIA, O BOATO SUJO e UM LÍDER QUE NÃO SE AGACHOU. Líder este cuja figura humana e consciência social jamais vamos esquecer: o memorável EDSON DE FREITAS.

Para encerrar, quero tornar pública a homenagem que prestei ao imortal companheiro EDSON, numa das edições anteriores de O Serventuário Independente, sob o título EDSON DE FREITAS, UM HOMEM. Durante muitos anos, EDSON foi, sem favor nenhum, a alma sindical da própria Categoria. Eis a homenagem que lhe dediquei:

EDSON DE FREITAS, UM HOMEM

Com imenso pesar e agredido pelo inesperado da notícia, tomei ciência da perda irreparável desse bravo companheiro de luta contra os donos do Poder em todos os níveis e, mais especialmente, na esfera do serviço público. Na última conversa que tivemos, após a eleição sindical (que não coonestei, por considerá-la uma farsa), EDSON DE FREITAS reconheceu a falta de bom senso e a mútua intransigência que, de parte a parte, inviabilizaram a formação de uma chapa unificada pela Oposição, que não soube protagonizar o que deveria ter sido um momento relevante na história de nossas lutas.

Eventuais divergências à parte, EDSON DE FREITAS merece pleno respeito e deixa-nos o inestimável legado de sua atuação permanente em defesa das causas mais nobres, no plano geral, da universalidade dos trabalhadores, somado ao heróico exemplo de sua destemida conduta como líder sindical. A tal ponto que, apeado da Diretoria Executiva do Sind-Justiça por uma súcia de carneiros do Poder, teve de responder a uma série de processos administrativos (em que foi absolvido) por haver cumprido (com pleno apoio do companheiro JORGE CHAIM, também covardemente deposto) as decisões aprovadas soberanamente pela Categoria na Assembléia que pôs termo à sua última greve.

Com efeito, EDSON DE FREITAS - longe de ter sido um arauto de uma tão decantada, suspeita e ilusória parceria - foi um rebelde que não admitiu compactuar com os profissionais da subserviência. Em suma, EDSON FOI UM HOMEM. Em honra a quem dedico a mesma frase do francês RÉGIS DEBRAY - último repórter a entrevistar CHE GUEVARA - ao ser informado de sua execução na Bolívia: lamento não haver tombado ao seu lado.

Sem dúvida nenhuma, EDSON DE FREITAS ocupa, na história gloriosa de nossas lutas, o mesmo lugar de TIRADENTES, FREI CANECA e BARBOSA LIMA SOBRINHO na História do Brasil. Os golpistas que o depuseram pertencem ao partido de Joaquim Silvério dos Reis.